Arquivo para Xingu

Dia do índio. E o índio com isso?

Posted in Uncategorized with tags , , , on abril 19, 2010 by karolnews

Procurei em diversos sites e liguei até para um contato na Secretaria da Cultura do Estado e, nada. Nenhum evento sequer marcando a comemoração do Dia do Índio na capital que tem como referencias nomes como Anhangabaú, Tiete, Nhambiquaras. Nomes que fazem parte do nosso cotidiano, e de uma historia, mas que passam desapercebidos no dia-a-dia pela maioria da população.

 Lembro que na escola costumávamos nos pintar e fazer colares, cocares, pulseiras e as professoras nos explicavam a importância do índio e como sua presença ainda fazia parte da nossa sociedade. E principalmente, como eram guerreiros, e como o homem branco foi acabando com diversas tribos por conta de uma coisa chamada: civilização.

 Mas os anos passaram e hoje não nos pintamos mais como os índios, nem brincamos de cabana, nem nos enfeitamos e falamos “mim índio”. Hoje temos vergonha de um passado de cores fortes e costumes aborígines.

 Quando falamos de índio lembramos do índio Pataxó queimado vivo em Brasília, lembramos dos protestos, mas guardamos mais a memória de uma comunidade decadente entregue ao álcool e as drogas.

 Marginalizados, os índios passaram a ser a imagem de tudo o que não queremos ser, de um povo esquecido, abandonado a própria sorte, dependente da boa vontade do Governo de lhes cederem um pedaço de terra que outrora já foi seu.

 Porém, mesmo com essa imagem tão abatida, esse povo de costumes diversos, de cores, enfeites e cantos de guerra ainda são capazes de nos surpreender. Pois ainda resta uma fagulha da chama guerreira que fazia os portugueses, franceses e holandeses tremerem.

 Hoje, 19, os índios do médio Xingu se preparam para ocupar o Sítio Pimental, localizado a 40 quilômetros de Altamira no Pará, onde serão construídas a barragem principal e a casa de força da usina hidrelétrica de Belo Monte.

 A usina atingirá pelo menos duas reservas, as terras indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande, nas margens esquerda e direita do rio Xingu. Segundo os índios da região, nunca foram consultados sobre a construção da hidrelétrica, e só agora foram ouvidos sobre o possível impacto destrutivo que causará na região.

 Segundo entrevista concedida á Folha de S. Paulo a avaliação dos indígenas e de especialistas é a de que, com a redução do fluxo de água no Xingu, o rio Bacajá terá reduzido o seu nível, comprometendo a navegação e a pesca na região. O mesmo efeito ocorrerá, segundo a oposição ao empreendimento, ao longo dos cem quilômetros do rio, até a região de Belo Monte, onde a água drenada do Xingu para dentro da Volta Grande será devolvida ao leito natural do rio após gerar energia nas 18 ou 20 turbinas que serão instaladas na casa de força principal.

Até mesmo o cineasta James Cameron deu uma passadinha para ver a manifestação e linkar o assunto com seu estrondoso Avatar. Engraçado com tudo parece poético no cinema não é? Por que as pessoas se preocupam mais com a matança e desmatamento em um mundo fictício e não cuidam dos que estão aqui com problemas reais, mortes reais?

O Dia do Índio ainda tem um certo ar de importância para esse país, mas só quando lembramos de julgá-los. Que fiquem lá, em suas reservas, fazendo dança da chuva e lutando contra a industrialização! É o que pensam muitos de nós.

Mas será que agiríamos da mesma forma se alguém invadisse nosso quintal e quisesse construir um lago gigantesco em cima, matando tudo ao redor e nos tirando o direito de permanecer ali? Acho que não.

Mas infelizmente é assim o pensamento da grande nação: eles que são índios, eles que se entendam.

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