Arquivo para Homofobia

Qual foi o tema da Parada Gay esse ano?

Posted in Uncategorized with tags , , , on junho 7, 2010 by karolnews

Qual foi o tema da Parada Gay esse ano? Voce sabe?Foi essa pergunta que fiz para muitos dos que estavam planejando ir a 14º edição da Parada Gay que ocorreu ontem,6, na Avenida Paulista.

Como em todos os anos, os carros alegóricos desfilaram pela avenida causando comoção a cada música que ecoava. E para muitos, o momento certo de sair do armário de uma vez por todas. Mas só na Parada tá?

Lembro que a primeira vez que disse em casa que ia a Parada Gay, meu pai me olhou com expanto e eu quase me escondi entre os carros para que nenhuma emissora flagrasse. Pensava ” o que meus pais vão pensar? E se minha avó estiver vendo tv?”.

Mas isso foi há algum tempo. Na época em que dizer que ia a Parada Gay ainda causava choque, pois ou voce era gay ou não era.

Hoje, o que vemos é um grande carnaval. Muitos amigos ficaram surpresos quando eu disse que não participaria (ativamente) dessa edição. Optei por ver de longe. Na verdade, me senti mais gay não entrando no meio da muvuca para seguir os trios.

Não é que condene a Parada em sí, mas não vejo mais com olhos de esperança esse tipo de movimento. Quando fui a primeira vez, aos 18, era como se aquele dia limpassse toda a injustiça dos outros 364 dias, e naquele dia, eu podia bater no peito e ter orgulho do que sou. Anos mais tarde,percebi que nada daquilo era necessário, e que eu deveria ter orgulho o ano todo da minha condição, e não só  em uma data meramente comemorativa.

 A Parada em sí é um movimento admirável e com grande comoção nacional, pois podemos ver senhoras, famílias e jovens que estão se descobrindo. Porém, a imagem que fica ainda é o das travestis siliconadas exibindos os corpos seminús, ou dos jovens heterossexuais que tornam a Parada um carnaval grotesco, ou ainda, o número incalculável de pessoas que consomem alcool e drogas livremente durante o evento.

É isso que chamam de movimento de militancia?

Me admira muito que a APOLGBT, que é um órgão sério e com intenções valiosas ainda permita esse tipo de festa.

Mas o que fazer? Proibir a Parada? Vetar o acesso dos heterossexuais? É uma alternativa, mas pouco seria resolvido com isso. Pois voltaríamos a ter guetos, e não é essa a intenção. O verdadeiro motivo é mostrar a sociedade que fazemos parte dela, com toda a diversidade que existe dentro do mundo GLS, mas para isso, o movimento necessita de um evento coerente com essas expectativas, com as revindicações e a ordem de protesto.

O único evento nesse mes gay que fez jus ao protesto contra a homofobia, foi a Caminhada Lésbica do sábado,5, onde mulheres de vários lugares do país se reuniram para pedir por Autonomia e Liberdade, e para lembrar que a grande mídia só fala do movimento gay nessa época do ano mostrando a Parada do Orgulho Gay como um grande circo degradando a imagem de todos os cidadãos que lutam o ano inteiro para realizá-la.

É triste caminhar pela avenida e ver casais heterossexuais aos amaços e achar que tudo é natural, que tudo é graça, enquanto o restante pula ao som de Lady Gaga e se esquece do motivo pelo qual esse evento existe.É triste ver que o que reinvidicamos há anos agora virou moda. Um simples fetiche para alguns.

Ainda tenho esperança que os gays de todo o país tomem consciencia do real motivo desse tipo de movmentação e, a exemplo do que ocorrem em São Francisco e na Europa, a Parada Gay torne-se realmente um movimento pelos direitos homossexuaiss, e não um carnaval de rua ou uma micareta .

Mas para que isso ocorra é necessário educar a população, a tarefa mais difícil. É difícil conscientizar um povo que está acostumado a ouvir calado e deixar de lutar por vergonha, que é capaz de lutar para ser sede da Copa do Mundo, mas é incapaz de lutar para ser respeitado pelo o que é.

Esta edição da Parada pediu pela votação do projeto de lei que torna a homofobia crime, e incentivou o protesto contra os políticos que incitam o preconceito dentro do senado. Agora, o que resta saber é,  se esses 3 minlhões de pessoas vão lembrar disso na hora de ir as urnas, no restante do ano quando saírem as ruas, ou se levantarão novamente suas bandeiras coloridas  só no próximo ano.

Anúncios

17 de Maio : Dia Internacional contra a Homofobia

Posted in Uncategorized with tags , , , on maio 17, 2010 by karolnews

Nem todos sabem, mas hoje, 17, é comemorado o Dia Internacional contra a Homofobia, no entanto, antes de ter um dia para “comemorar”, sem dúvida é necessário conscientizar e não apenas tornar essa data mais um risco no calendário gay.

Foi em 1992 que a OMS (Organização Mundial de Saúde) desligou oficialmente o termo Homossexualidade da classificação como doença.

O Dia Internacional contra a Homofobia, lançado por iniciativa de uma organização de Quebeque, é celebrado em cerca de 50 países para lembrar que se “a homossexualidade não tem fronteiras”, tal como a discriminação a ela associada.

Há um mês da 14º edição da Parada Gay de São Paulo, a data reforça a mudança no comportamento de gays e heteros que hoje buscam por um equilibrio e pela diminuição (já que talvez não seja possível o extermínio) do preconceito.

O dia de hoje foi marcado ainda por manifestações de bancários que se reuniram ao meio-dia na Praça do Patriarca para comemorar a data, mas também para intensificar a  luta para que o Congresso aprove o projeto que torna crime a homofobia e propagar a realização da primeira marcha LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais) que será realizada na Esplanada do Ministérios, em Brasília, na quarta-feira (fonte Estadão).

 Os manifestantes tiveram o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) que distribuiu cartilhas com o título “Conhecer, Entender e Respeitar Sim…Discriminar Não”, o material tem caráter didático e apresenta textos sobre orientação sexual, preconceito, além de retratar a luta do movimento dentro do ambiente sindical.

Cristãos Americanos prevêem investida contra movimentos Anti-Gays em Uganda.

Posted in Uncategorized with tags , on janeiro 4, 2010 by karolnews

Kampala, Uganda – Em março passado, três Americanos cristão-evangélicos, cujos ensinamentos sobre “curar” os homossexuais têm sido amplamente desacreditados nos Estados Unidos, chegaram aqui na capital de Uganda, para dar uma série de palestras.

O tema do evento, de acordo com Stephen Langa, organizador do evento em Uganda, foi “A esperança gay – todo desejo escuro e escondido” – e a ameaça que representa para os homossexuais com base na Bíblia e os valores da família tradicional africana.

Durante três dias, de acordo com os participantes e gravações de áudio, milhares de ugandenses, incluindo policiais, professores e políticos nacionais, escutaram embevecidos os americanos, que foram apresentados como especialistas em homossexualidade. Os visitantes discutiram como tornar gays em heterossexuais, como homens gays frequentemente sodomizam jovens adolescentes e como “o movimento gay é uma instituição do mal”, cujo objetivo é “derrotar a base do casamento na sociedade e substituí-la por uma cultura de promiscuidade sexual”.

Agora, os três norte-americanos encontram-se na defensiva, dizendo que não tinham a intenção de ajudar a alimentar a raiva que viria em seguida: um projeto de lei para impor uma sentença de morte para o comportamento homossexual.

Um mês após a conferência, um até então desconhecido político do Uganda, que se orgulha de ter amigos evangélicos no governo americano, apresenta A Notificação Anti-homossexual de 2009, um projeto que ameaça penalizar os homossexuais, e, como resultado, coloca Uganda em colisão com os países ocidentais.

Os países doadores(que ajudam financeiramente Uganda), incluindo os Estados Unidos, estão exigindo a queda do governo de Uganda, e da proposta de lei, afirmando que ela viola os direitos humanos, embora o ministro de Ética e Integridade de Uganda (o qual já tentou proibir minissaias) disse recentemente que “os homossexuais podem esquecer sobre os direitos humanos. ”

O governo de Uganda enfrenta a perspectiva de perder milhões de dólares em ajuda externa, e ao que tudo indica voltará a ter ,ligeiramente, uma baixa qualidade de vida, e alterar a disposição da pena de morte para a sentença em prisão para alguns homossexuais. Mas a batalha está longe de terminar.

 Em vez disso, Uganda parece distante da linha de frente nas guerras da cultura americana, com os grupos americanos de ambos os lados, da direita cristã e ativistas gays, servindo de apoio e dinheiro, eles se envolvem no debate mais amplo sobre a homossexualidade na África .

“É uma luta para salvar suas vidas”, disse Mai Kiang, diretor da Astraea Lesbian Foundation for Justice, um grupo com sede em Nova York que canalizou cerca de U$75.000 dólares para os ativistas dos direitos gays de Uganda, e espera que este montante cresça.

Os três americanos que falaram na conferência – Scott Lively, um missionário que já escreveu vários livros contra a homossexualidade, incluindo os “7 passos para colocar seus filhos a prova”; Caleb Lee Brundidge, que se auto-intitulou líder de ex-gays e prove seminários de cura “, e Don Schmierer, um membro da diretoria da Exodus International, cuja missão é” mobilizar o corpo de Cristo para ministrar graça e verdade para um mundo afetado pela homossexualidade “- estão agora tentam se distanciar do projeto de lei.

“Sinto-me enganado”, disse Schmierer, argumentando que ele havia sido convidado para falar sobre as competências da “paternidade” para famílias com crianças gays. Ele afirma em suas conferencias que os homossexuais poderiam ser convertidos em heterossexuais, mas disse que não tinha idéia de alguns ugandenses foram condenados a pena de morte por serem homossexuais.

 “Isso é horrível, absolutamente horrível”, disse ele. “Algumas das pessoas mais agradáveis que já conheci são gays.”

Lively Sr. e Sr. Brundidge fizeram observações semelhantes em entrevistas ou declarações emitidas pelas suas organizações. Mas os organizadores da conferência de Uganda admitem que eles são favoráveis ao projeto de lei, e o Sr. Lively afirmou marcar uma reunião com legisladores de Uganda para discutir o assunto.

Ele mesmo escreveu em seu blog em março, que alguém tinha assimilado a sua campanha como”uma bomba nuclear contra os direitos gays em Uganda.”Mais tarde, quando confrontado com as críticas, Lively afirmou estar muito desapontado com uma legislação tão dura.

Defensores dos direitos humanos em Uganda, dizem que a visita dos três americanos ajudaram a pôr em marcha o que poderia ser um ciclo muito perigoso. Ugandenses gays já descrevem um mundo de agressões, chantagem, ameaças de morte como” Morram Sodomitas!”Rabiscadas em suas casas, o assédio constante e até mesmo os chamados estupro grupal.

 “ Agora, realmente temos que nos disfarçar”, disse Stosh Mugisha, uma ativista dos direitos dos homossexuais que disse que ela foi descoberta em um pomar de goiaba e estuprada por um lavrador que queria curá-la de sua atração por meninas. Ela disse que estava grávida e infectada com o HIV, mas que a reação de sua avó foi simplesmente dizer: ” ‘Você é muito teimosa”.

Apesar de tais ataques, muitos gays e lésbicas insistem em dizer que a situação havia melhorado para eles antes do projeto de lei, pelo menos o suficiente para manter conferências de imprensa e lutar legalmente por seus direitos.

Agora, eles temem que o projeto poderia estimular linchamentos. Essas mobilizações levam pessoas à morte por infrações menores do que roubar sapatos.

“O que essas pessoas têm feito é querer controlar o fogo não podem apagar”, disse o reverendo Kapya Kaoma, um zambiano que ficou disfarçado por seis meses, para narrar a relação entre o movimento africano anti-homossexual e evangélicos americanos. Kaoma estava na conferência e disse que os três americanos “subestimaram a homofobia em Uganda” e “o que significa para os africanos, quando você fala sobre um determinado grupo que tenta destruir os seus filhos e suas famílias”.

 “Quando você fala assim”, disse ele, “os africanos vão lutar até a morte.”

Uganda é de uma exuberância excepcional, principalmente na parte rural do país onde grupos cristãos conservadores exercem enorme influência. Este é, afinal, o país da imposição da virgindade juvenil, canções sobre Jesus nos aeroportos, adesivos de “Uganda é Abençoada” nos pára-choques, em portas de gabinetes do Parlamento e da sugestão da esposa do presidente, que um censo de virgindade pode ser uma forma de combate à Aids .

Durante a administração Bush, autoridades norte-americanas elogiaram as famílias políticas de Uganda por seus valores e direcionaram milhões de dólares em programas de abstinência.

Uganda também se tornou um ímã para os grupos evangélicos americanos. Algumas das personalidades cristã mais reconhecida passou por aqui recentemente, muitas vezes trazendo consigo mensagens anti-homossexuais, incluindo o reverendo Rick Warren, que fez uma visita em 2008 e comparou a homossexualidade à pedofilia. (Warren recentemente condenou a lei anti-homossexual, procurando corrigir o que ele chamou de “mentiras e erros e relatórios falsos”, de documentos ligados a ele.)

Muitos africanos veem a homossexualidade como uma importação imoral do Ocidente e faz com que o continente se encha de duras leis homofóbicas. No norte da Nigéria, os gays podem enfrentar a morte por apedrejamento. Além da África, um punhado de países muçulmanos, como Irã e Iêmen, também têm a pena de morte para os homossexuais. Mas muitos ugandenses disseram que pensavam estar indo longe demais. Alguns até falaram em prol dos homossexuais.

“Sou capaz de defendê-los”, disse Haj Medih, um taxista muçulmano, com muitos clientes homossexuais. “Mas tenho medo do quê? Da polícia, do governo. Eles podem prendê-lo e colocá-lo na prisão, e para mim, eu não tenho qualquer advogado que possa me ajudar. ”

Matéria publica no The New York Times: http://www.nytimes.com/2010/01/04/world/africa/04uganda.html?hp

Traducão: Karoline Pereira