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O poder de voz do Blog

Posted in Uncategorized with tags , on dezembro 1, 2009 by karolnews

Por: Karoline Pereira

 Hoje eu estava lendo o blog de uma amiga – que sempre faz piada com as cenas mais absurdas do cotidiano paulistano, e sofre de falta de pudores e com isso provoca a ira de alguns leitores – e me deparei com o assunto sobre a manifestação contra a proibição do bronzeamento artificial feita ontem, 30, em frente ao Masp, na Avenida Paulista.

 O texto dela começa com uma crítica geral sobre o ato de proibir o bronzeamento e faz uma comparação com a atual lei antifumo. Seus argumentos: Usa quem quer. Todos sabem o que faz mal e o que não faz.

 Pois bem, acho válida a posição dela em defender o direito ao uso do cigarro, e até do uso do bronzeamento. Afinal, ela deixa bem claro que usa quem quer – e também deixa bem claro em todos os posts de seu blog que tudo o que ela escreve é de conteúdo pessoal e ela não se responsabiliza pelas ofensas que alguém possa tomar para si. Mas lá pelas tantas do texto, ela vira o jogo e critica de forma ferrenha as manifestantes que estavam no Masp na tarde de ontem.

 Ela afirma que as manifestantes deveriam procurar algo mais interessante para fazer, ao invés de desperdiçar o tempo com uma manifestação que, no seu conceito, é pura perda de tempo.

 Essa minha amiga, como muitos usuários de blog que conheço, não é jornalista, nem escritora, nem formadora de opinião; Logo, ela não tem a noção que nós jornalistas devemos ter ao escrever um artigo, e talvez nem a noção da responsabilidade sobre o conteúdo que estamos colocando “em exposição”.

 No atual mercado informativo – já dizia o comercial do Estadão: Informação é de graça, qual é o preço do conhecimento? – poucas pessoas têm noção do quão poderoso pode ser um blog. Muito se fala sobre a queda do diploma de jornalismo, mas ainda não se falou claramente sobre o poder de informação que os formados nessa área carregam ao estudar e analisar diariamente esses casos em sala de aula, o que não pode ser feito fora dela de forma coesa e ética.

 O que se publica hoje vira fonte de pesquisa em diversos lugares, e dependendo da visibilidade do blog pode ser usado como juízo de valor.

 No entanto, também nos deparamos com a famigerada e corrompida “liberdade de expressão”, onde, por regra básica, permite que um individuo critique, questione, avalie um fato ou acontecimento da maneira que achar melhor. No caso do blog desta amiga, minutos depois da publicação do texto, podia-se ver comentários de possíveis participantes do protesto, absolutamente revoltadas com o modo como minha amiga levou o assunto. Era um direito dela escrever sua opinião, e um direito das moças em retrucar. Porém, há algo que ainda me incomoda nisso. Se a blogueira não é jornalista, não tem poder informativo, não é formadora de opinião, não tem responsabilidade pelo conteúdo que publica (pelo menos não como um jornalista costuma ter/ver), então como cidadã ela não pode escrever sua opinião sobre o assunto?

 E como encarar os comentários dessas duas senhoras que se sentiram ofendidas com as críticas? Se fosse um jornalista que tivesse escrito, como encarar essas retrucadas?

Acho que ainda há muito que se pensar e falar sobre o uso dos blogs como fonte de informação, o conteúdo apresentado, e a responsabilidade informativa daqueles que o utilizam. Caso contrário, teremos uma ditadura sobre os blogueiros que terão que pensar mil vezes antes de colocar seus dedos no teclado, e lições de ética jornalística terão de ser apresentadas a rodo para que cidadãos, blogueiros e jornalistas vivam em paz no ciberespaço.