Arquivo para janeiro, 2012

Pra ninguem botar defeito

Posted in Uncategorized on janeiro 26, 2012 by karolnews

Não é pra qualquer um. Além de boa música, talento e contar com as participações especiais de Ana Cañas, Tiê e Mariana Aydar, o grupo 5 a Seco se revela como um dos mais novos talentos da música popular brasileira.

5 a Seco no parque Villa Lobos. Participação Ana Cañas

O quinteto (que ora ou outra recebe artistas convidados para compor a banda) se apresentou ontem, 25, no parque Villa Lobos em programação especial para homenagear os 458 anos da cidade de São Paulo.

Com uma apresentação impecável e empolgante, os músicos cativaram os presentes. Debaixo de um sol que ultrapassava facilmente os 30 graus, a banda mostrou sucessos do seu repertório como Gargalhadas, regravado por Bruna Caram, Pra você dar o nome, que ficou famosa na voz de Pedro Mariano, além de Deixa Estar, Faça desse Drama, Juntos Outra Vez, entre outras.

O público, empolgado, não abandonou o grupo em nenhum instante. Entoando em uníssono todas as canções do quinteto, foram atendidos quando um “toca Raul” surgiu no meio da platéia. E eles tocam, é claro. Como banda, músicos e artistas de qualidade que são, veem na verdadeira música nacional uma inspiração para seus acordes.

Elas cantam e encantam

Ana Cañas entrou com seu visual hippie-chic , óculos e violão em punho desafiando os solos de guitarra e arranhando a voz como só Janis Joplin já ousou fazer. Uma mistura da boa e rara como só ela consegue fazer.

Tiê trouxe consigo toda a sutileza de suas canções, e conseguiu arrancar risos e acenos de aprovação ao transformar o clássico brega “Você não vale nada, mas eu gosto de você” em uma das músicas mais lindas e significativas que se pode fazer. Provocou o público e conseguiu com que todos a seguissem em coro no final.

Mariana Aydar apareceu com seu novo visual que lembra muito a Marina Lima dos anos 80 e trouxe os versos do premiado Criolo numa versão suave de Não existe amor em SP. Com um gingado elegante, atiçou a platéia e brincou com os músicos.

Quatro shows em um. Um espetáculo pra desbancar qualquer modismo e provar que a música nacional de qualidade ainda existe, e está ai, pra quem tiver ouvidos pra ouvir.

http://www.youtube.com/watch?v=eVwqp5sxl28

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O BBB não é o maior dos nossos problemas

Posted in Uncategorized on janeiro 17, 2012 by karolnews

Devido à enxurrada de comentários e toda a polêmica sobre o ocorrido  na 12º edição do BBB, não pude deixar de comentar sobre o que tenho visto por trás de tudo isso.

Pior do que encarar machistas disfarçados de moralistas, que vem constantemente divulgando esse tipo de comportamento como normal e aceitável,  é perceber que muitas mulheres se posicionam a favor desse tipo de crime, tornando as atitudes mais brutais, simplesmente desculpáveis.

Mulheres que deveriam lutar juntas pelo direito ao respeito do seu corpo, se calam e compactuam com seus abusadores.

Abaixo reproduzo o texto da Paula Kaufmann do blog www.juntos.org.br onde ela exemplifica melhor o perigo que vivemos em achar o comportamento do Daniel justificável e considerar o da agredida, vulgar.

O BBB é apenas um reflexo da sociedade que vivemos, é apenas uma vitrine da forma comercial como as mulheres são tratadas e seus corpos e direitos violentados.

Define-se reality show como um programa de TV que se baseia na vida real. Pois bem, Big Brother Brasil cumpriu com o papel de mostrar a realidade que as mulheres vivem cotidianamente. Neste fim de semana, em uma festa da casa, um dos participantes que, segundo relatos, tentava ficar com todas as participantes do programa a qualquer custo durante a noite, abusou de uma das participantes. Monique havia bebido demais e estava praticamente inconsciente em sua cama quando o sujeito se deita ao lado dela embaixo do edredom e passa a fazer movimentos claramente sexuais com a menina que aparenta estar desacordada. Transtornada e sem lembrar o que aconteceu, a moça passou todo o dia seguinte tentando entender o que havia acontecido, enquanto o rapaz apenas dizia que foram alguns beijos e mãos aqui e ali. A Rede Globo (a mesma emissora que vê graça em quadro de comédia de abuso sexual em metrô) vem fugindo da responsabilidade, dizendo que nada aconteceu. O âncora do BBB, Pedro Bial, acha que o caso é uma linda história de amor.

Com a grande repercussão do caso, ouvimos comentários como “quem mandou beber tanto” ou “a menina deveria se comportar melhor” ou ainda “quem mandou ser maria chuteira”. A culpabilização da vítima é recorrente nos casos de estupro e deve ser combatida. É comum vermos a vida sexual e o comportamento das vítimas de estupro e abuso sexual serem questionados já que se estabelece como ideal o comportamento assexuado, puro e dócil para a mulher. Quando se foge a esse padrão a culpa da violência é atribuída, nem sempre inteiramente, mas pelo menos parcialmente à mulher. Ela que não deveria ter bebido demais. Ela que não deveria usar uma roupa curta. Ela que não deveria andar pela rua escura. Como as Marchas das Vadias ao redor do mundo mostraram em 2011, a roupa que usamos não é um convite, o nosso comportamento não é o culpado. A culpa é do agressor. A culpa é do machismo com que somos obrigadas a conviver diariamente.

Casos de estupro de vulnerável (que é crime, segundo o Código Penal) acontecem cotidianamente. Casos como esse, veiculado em rede nacional e ainda acobertados pela emissora reforçam que abusar do corpo de mulheres que não se encontram em estado de possível reação é uma atitude tolerável e que passa impune.

Acaba de ser anunciado ao vivo no programa que Daniel foi expulso do reality show. Essa é uma vitória da luta contra o machismo dando o exemplo de que atitudes como essa são inaceitáveis e não podem passar impunes! No entanto, a eliminação do participante era a mínima atitude que a Rede Globo deveria ter. A responsabilização de Daniel pelo crime que cometeu em rede nacional bem como da emissora devem ser garantidas o quanto antes para que não se reproduza a impunidade dos agressores em casos de violência contra a mulher, como vemos cotidianamente. A Globo é uma emissora de alcance nacional e por isso deve ter responsabilidade social com o conteúdo que veicula e não atender os interesses dos grandes conglomerados econômicos que mantêm financeiramente o canal. Atitudes como a de Daniel são também resultado de um conteúdo constantemente veiculado pela Rede Globo que objetifica e reifica o corpo da mulher.

Ao contrário do que disse Pedro Bial ao anunciar a eliminação de Daniel, o show não deve continuar. Exclusão do programa não basta! Exigimos que os culpados sejam responsabilizados e que a reprodução de valores machistas não siga sendo encarada com naturalidade. O combate a esse tipo de atitude deve ser firme e inflexível. Não toleraremos nenhuma violência ou abuso! Pela autonomia de nosso corpo!”

 Texto retirado:http://juntos.org.br/2012/01/bbb-e-o-machismo-nosso-de-cada-dia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bbb-e-o-machismo-nosso-de-cada-dia