História de vanguarda da imagem

Para comemorar os 70 anos do Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em São Paulo em 1939 e que reuniu entre seus participantes nomes de peso como German Lorca, Thomaz Farkas, Eduardo Salvatore, Geraldo de Barros e José Yalenti, o Centro Cultural São Paulo apresenta exposição com 124 imagens feitas por 48 fotógrafos para marcar a data redonda e perpassar a história do grupo ou instituição. O começo do Foto Cine Clube Bandeirante refere-se ao que se pode identificar como uma das bases da fotografia moderna brasileira já que era formado por uma rede de fotógrafos/artistas donos de um espírito de ousadia e experimentação em torno da criação da imagem em preto e branco. “Eles saíram à procura de novas formas, novas linguagens, novas fronteiras, o assunto era a própria fotografia como linguagem, o que para a época não era pouca coisa”, diz Iatã Cannabrava, que assina a curadoria da mostra com Monica Caldiron.

A exposição Foto Cine Clube Bandeirante – 70 Anos, no piso Flávio de Carvalho do CCSP, não é estritamente de ordem cronológica, mas segue o caminho das experimentações do grupo desde a década de 1940. “Começamos com o pictorialismo dos anos 40 e terminamos com a cor dos anos 70, 80 (acompanhada do declínio do Clube), mas o miolo desse período todo foi tratado pela curadoria com um olhar sobre a forma e não o tempo, por um viés mais poético que qualquer outro discurso”, diz Cannabrava.

O pictorialismo refere-se à criação da fotografia ainda com os pés nas questões da pintura do século 19, mas, indo adiante, as experimentações dos fotógrafos se tornaram “inserções numa brincadeira surrealista” e “muitos estudos sobre a forma, linhas, num momento de riqueza de nossa arquitetura, o que denotava uma sintonia com o momento de ebulição intelectual do País”, exemplifica o curador sobre algumas das raízes temáticas que se tornaram emblemáticas das obras daqueles criadores num período importante, das décadas de 1940 e 50 – o tal momento moderno ou caracterizado como Escola Paulista. Era tanta experimentação que o carioca José Oiticica Filho se filiou ao Clube Bandeirante “por acreditar que ele era a vanguarda”.

Um enquadramento diferente e ousado para retratar fachadas de prédios ou destacar elementos arquitetônicos – como na série Apartamentos, de Lorca e Farkas, obras de Chico Albuquerque, as contraluzes de Yalenti – é parte de uma linguagem referencial do momento áureo do Foto Cine Clube Bandeirante. Mas a mostra também exibe trabalhos de fotógrafos menos conhecidos, revelando um pouco de frescor, como os de Marcel Giró, Gertrudes Altschul (com obras de temática sobre flores e vasos de 1952), Roberto Yoshida e Ivo Ferreira da Silva. “Na verdade, eles se confundem no conjunto”, defende Iatã Cannabrava.

Serviço

Foto Cine Clube Bandeirante. CCSP. Rua Vergueiro, 1.000, Tel. 3397-4002. 10 h/ 20 h (sáb. e dom. até 18 h; fecha 2.ª). Grátis. Até 30/8

 
Fonte: Estadão
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