Até que a crise nos separe… ou até que a paciência aguente.

O evento “Festa do Teatro” realizado pela companhia CCR distribuiu (e ainda vai distribuir) vários ingressos para peças em toda a capital paulistana. Entre as centenas de pessoas que se aglomeraram em frente ao Teatro Municipal e Centro Cultural São Paulo, estava eu, jovem estudante de jornalismo (se é que isso vale alguma coisa agora) e amante das artes.

Embora não tenha conseguido o ingresso para as peças que eu realmente gostaria de ver, aceitei o conselho de uma amiga e escolhi um espetáculo aleatoriamente. Resolvi então ver a peça “Até que a crise nos separe” com texto de Rianez Ferreira e direção de Di Carlo Araújo. A peça trata dos conflitos de um casal e toda questão da disputa entre o ego feminino e o masculino (ao menos era isso que dizia a sinopse). Crendo ser uma comédia digna de bom público como a conhecida “Os homens são de marte e é pra lá que eu vou”, desloquei-me na noite de ontem (24.06) até o Teatro Ressurreição próximo ao metrô Jabaquara para conferir a encenação.

Logo nos cinco primeiros minutos de peça, encontrei alguns erros que, de cara, incomodaram o público. A sonorização escolhida, obstruía o diálogo dos atores e a iluminação por vezes chegou a atrapalhar o andar da peça. Crendo ainda que erros como estes sejam perdoáveis, permaneci em meu assento (sem saber que o pior ainda estaria por vir).

O roteiro era pobre. As falas debulhadas com esforço pelos dois atores (Rianez e Di Carlo) eram cheias de piadas esgarçadas e sem nenhum humor novo. A discussão entre os personagens não trouxe surpresa alguma para os que esperavam por um diálogo inteligente que colocasse em pauta as divergências de um casal em crise. O que se viu foi uma tentativa desesperada de provocar risos na platéia desapontada e incrédula. Claramente se podia notar que algumas das falas utilizadas pelos personagens eram de roteiros que lembram o livro “Divã” (que tem Lilia Cabral na versão cinematográfica) e “A comédia da vida privada” popularizada através da Rede Globo.

O pior da noite não foram as piadas sem graça e totalmente previsíveis (sobre a sogra, sobre o comportamento de ambos após o casamento, nem a falta de assunto a ser desenvolvido). O pior foi quando a personagem Cris, avançou sobre a platéia e disparou perguntas sobre a vida sexual dos espectadores. Um casal que estava ao meu lado foi uma das vítimas. Casados há 22 anos, foram surpreendidos com a pergunta “Você ainda chupa seu marido? Como é?”. A senhora ao meu lado ficou pasma e, sem saber o que responder, limitou-se a se contrair na cadeira. E não parou por ai, a falta de falas foi substituída por uma seqüência de palavrões e citações sujas sobre sexo e comportamento.

A classificação indicada no ingresso era de 12 anos.

O choque causado no público não foi nada promissor, com meia hora de espetáculo os comentários eram negativos e ansiosos pelo final da história.

O casal de atores parecia perdido no palco, falas atropeladas e falta de criatividade dispersaram a atenção dos espectadores.

A peça cheia de comentários preconceituosos sobre homossexuais e a vulgarização da mente feminina, levaram a peça a seu naufrágio. O público já cansado e sem vontade alguma de permanecer na casa, lamentavam a cada novo ensaio verbal dos atores.

Sem qualquer explicação, o ator Di Carlo apresentou uma propaganda pessoal sobre a peça poucos minutos antes do final, o que irritou ainda mais os presentes. O final foi tão ruim quanto o começo. A falta de conclusão da história (que já não tinha uma seqüência sedutora) provocou aplausos ocos e sem empolgação. A peça teve seu desfecho perto das 22h.

A Di Carlo Produções Artísticas é formado por um grupo de Minas Gerais e faz uma breve temporada em São Paulo.

 Por : Karoline Pereira

 FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação.

Serviço:

Teatro Ressureição, Rua dos Jornalistas,123 Fone: (11) 5016 – 1787 Ingresso R$ 40,00.Aceita dinheiro e ou cheque Tempo de duração: 75 minutos. 385 lugares, Acesso para deficiente, ar condicionado, lanchonete. Estacionamento R$ 10,00

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4 Respostas to “Até que a crise nos separe… ou até que a paciência aguente.”

  1. Com referencia a peça, Até que a crise nos separe, realmente ouve algumas falhas mas não foi uma peça tão ruim assim, ouve momentos que achei muito hilario e indico a peça para qualquer pessoa que queira dar uma boa gargalhada

  2. Aldo Henrique Martins Rosenfeld Says:

    A peça é exatamente como foi descrito acima. Faltou roteiro e um pouco mais de conteúdo. As piadas previsíveis eram interpretadas sem emoção. A interação com o público perguntando se senhoras de cabelo branco ainda “chupam seus parceiros” foi no mínimo constrangedor… Lamentei pelo meu tempo perdido. Queira me diveritr um pouco e acabei me chateando mais. Antes tivesse ficado em casa…

  3. Oi
    Fui ver o espetáculo e concordo com quase tudo citado no post acima, o nome da peça atrai as pessoas, porém a peça é fraca, ele é o que tenta salvar a peça, ela é ruim demais e parece que esta interpretando a própria vida dela, dei risada sim… pq era tanta bosta que não tinha como rir.
    Ela não é nem um pouco simpática e agradável, ele já é natural,faz algumas imitações no decorrer da peça ( imita Silvio Santos, Lula e outros),sabe não tem nada a ver com o assunto da peça.
    Aliás a peça é sem pé e sem cabeça, e não condiz com o nome. Vale a pena pelo esforço que ele faz.
    Apesar de tudo dou uma nota 5.

  4. Também achei de mal gosto a peça, nao se viam risadas, o que era esperado, muito palavrão e linguagem obsena nao recomendo

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