Pianista canadense se apresenta com a Osesp

Posted in Uncategorized on agosto 1, 2012 by karolnews

Para quem perdeu a apresentação do pianista canadense Marc-André Hamelin realizada ontem à noite na Sala São Paulo, terá mais uma chance na quinta-feira(02). Como solista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), vai interpretar o concerto nº 19 de Mozart, sob regência de Sir Richard Armstrong.

Serviço
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Sir Richard Armstrong regente
Marc-André Hamelin piano

Quando: 02 à 04 de agosto

Local: Sala São Paulo – Praça Júlio Prestes, 16 – Santa Cecília, Sao Paulo – SP, 01218-020
(0xx)11 3367-9500

Valor:  R$ 44,00 à R$ 149,00

Para mais informações, acesse : http://www.osesp.art.br/portal/concertoseingressos/concerto.aspx?c=2173

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Anima Mundi comemora aumento no número de inscritos e chega a SP

Posted in Uncategorized on julho 24, 2012 by karolnews

SÃO PAULO – “Entrar para o Oscar” não foi exatamente um pedido do Anima Mundi à Academia, mas fruto da história do festival – somada a uma boa recomendação de Ron Diamond e a uma movimentação política bem feita pelos seus diretores. “É um jogo político. Tivemos o apoio do Ron e de outras pessoas importantes. Não se pede oficialmente. É a Academia quem nos concede o direito”, explica César Coelho, um dos criadores do Anima Mundi e conselheiro da Associação Brasileira de Cinema de Animação.

Para Coelho, a entrada para o seleto grupo dos oscarizáveis (que inclui os festivais de Annecy, na França, Hiroshima, no Japão, e Tribeca, em Nova York) não só ajuda os animadores como também o festival. “É bom porque os estúdios ficam muito mais de olho no nosso evento, que ganha mais inscrições e, ao que tudo indica, mais filmes de qualidade. Este ano já tivemos aumento no número de inscritos. Em 2011, foram 1.500. Este ano, foram mais de 1.600 filmes, incluindo curtas e longas. E um deles sairá daqui com o direito de tentar uma vaga no Oscar.”

Por falar nisso, o primeiro detentor deste direito é Head Over Hills (De Pernas para o Ar), do britânico Tim Reckart. Além de levar o prêmio de melhor curta de estudante, levou também o de Melhor Curta Metragem da edição carioca do festival. Em São Paulo, o filme tem sessão no programa Curtas 7, na quinta-feira, 26, às 18h, no Memorial da América Latina.

Se o número de inscritos aumentou, o de público não ficou atrás. Ano passado, só no Rio, 54.815 pessoas compareceram às atividades. Neste ano, já foram 68.338. “Isso porque o festival está no meio. Agora começa em São Paulo e aí teremos o número fechado. Certamente será maior que no ano passado”, diz Coelho.

Filho Pródigo. Nestes 20 anos, o Anima Mundi também ajudou centenas de “animaníacos” brasileiros a fazer da animação não só uma arte como também uma profissão. É o caso de Marcelo Marão. Famoso por seu humor escrachado e seu traço tão característico, Marão já ganhou dezenas de prêmios em todo o mundo. Natural de Nilópolis, estreou quase todos seus filmes no Anima Mundi. Muito por conta disso, é o animador brasileiro homenageado desta edição. É dele o Papo Animado da sexta, às 19h, no Memorial. “Se consigo viver, comprar comida e roupa hoje com animação, é porque devo muito ao festival”, comentou o diretor, que atualmente prepara um longa-metragem.

Sara Cox. Outra convidado internacional deste ano é Sarah Cox. Interessante observar como a presença de Sarah se faz notar justamente no ano em que a entrada para o Oscar é o grande destaque do Anima Mundi. Tudo porque Sarah, que já integrou projetos no conceituado estúdio Aardman (de Fuga das Galinhas), defende com veemência a maior presença de animações não americanas no circuito internacional. Para ela, que dirigiu há pouco The Itch of the Golden Nit (A Coceira da Lêndea Dourada), que tem sessão hors-concours na categoria Infantil, deveria haver muito mais espaço no mercado para longas animados não americanos. “É uma pena que a linguagem dos filmes para crianças, desde que a Disney fez Branca de Neve em 1937, seja sempre esta americana. E isso contaminou de tal forma o formato que até filmes de outros países acabam tendo esta visão e formato”, comentou ela em seu Papo Animado no Rio, na semana passada.

Em São Paulo, o Papo ocorre na sexta-feira, 27, às 21h, no Memorial. Sarah, que há dez anos fundou com a colega Sally Arthur o estúdio ArthurCox para produzir seus projetos autorais, irá mostrar um pouco de seu trabalho. Incluindo The Itch of the Golden Nit, cujo ponto de partida foi um projeto aberto à comunidade do Reino Unido e desenvolvido pela Tate. O filme foi criado coletivamente com a colaboração de 34 mil crianças britânicas que, via internet e com mediação de animadores, desenharam personagens e conduziram enredo, roteiro e música. “O processo todo, da concepção ao produto final, levou seis anos, mas valeu a pena.”

Ensinamentos. Outro destaque da obra de Sarah, é John and Karen. Produzido por ela e dirigido por Matthew Walker, revela de forma inusitada uma discussão de casal. John pede desculpas à Karen enquanto eles tomam chá com bolacha. O detalhe é que John é um urso polar e Karen, uma pinguim. “Não é genial esta ideia? Tão simples! Valeria ao menos uma indicação, se não, o Oscar. Mas sabe porque não venceu? Porque o diretor esqueceu de se inscrever! São coisas assim que eu vim ensinar. Se você tem um curta bom, think Oscar!”, comenta Ron Diamond sobre o trabalho de Sarah e Walker, que integra o Think Oscar®! 4, no domingo, às 16h30.

A lista de filmes e convidados deste ano é tamanha que só mesmo conferindo os destaques dia a dia é possível tratar de todos. Mas para os que chegam agora ao mundo animado, o festival também preparou uma seleção com os 20 filmes vencedores ao longo dos anos. Vale lembrar que até 2011, o vencedor do festival era anunciado em São Paulo, mas este ano passou a ser no Rio. Na edição paulista, o júri popular escolhe agora seus favoritos, que serão anunciados no domingo.

Fonte: Estadão

Móveis Coloniais de Acaju é destaque em pré-carnaval no CCJ

Posted in Uncategorized on fevereiro 3, 2012 by karolnews

No dia 04 de fevereiro o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, – CCJ – em São Paulo, vai promover o CarnaSka um evento gratuito que irá festejar o pré-carnaval em ritmo jamaicano. A festa é inspirada no projeto Skarnaval que começou no Hangar 110 em 2002, como uma brincadeira criada pelos integrantes do Sapo Banjo, onde as tradicionais marchinhas carnavalescas se misturavam com versões em ska e outros ritmos.

Entre as bandas a se apresentar está a famosa Móveis Coloniais de Acaju. Uma das bandas mais queridas e populares do país nos últimos anos, o Móveis Coloniais de Acaju alcançou uma posição inigualável na cena independente nacional. “Feijoada búlgara” foi uma definição encontrada pela banda para explicar como funciona sua música, que é temperada com doses de ska, pitadas de música do leste europeu e brasileira, além de rock e muito swing.

Outras bandas também se apresentarão durante o evento. Entre elas estão The Slackers (EUA), Sapo Banjo, Larika (República Tcheca), Peixoto & Machado, Coquetel Acapulco, Baboom e Don Robalo.

Para Karen Cunha, diretora de programação do CCJ, a ideia é fugir do óbvio: “Pensamos em um evento de carnaval em que o samba não fosse o mote principal, mas que representasse algo festivo, alegre para as pessoas se divertirem, como em um baile de carnaval”, afirma.

 

Atrações da festa:

The Slackers (EUA)

Qualificados como a melhor banda de reggae/ ska de Nova York em recente reportagem da maior revista norte-americana de reggae, a Beat, os Slackers mantém uma pegada crua e direta. Nos últimos anos fizeram mais de 400 shows por todo o planeta. Toda essa empolgante atividade caminha para o lançamento de um novo álbum, “Gambare”, que será, ao lado dos clássicos da banda, peça chave no repertório dessa turnê brasileira.

 Larika (República Tcheca)

Formada por nove músicos de Praga, na República Tcheca, a banda Larika vem navegando nas águas do reggae, ska e rocksteady desde 2008. Experientes músicos da cena tcheca e três excelentes cantoras estão à frente do grupo, que lançou seu primeiro álbum, “Kosmodisk”, no fim de 2011 e, em fevereiro, desembarcam para sua primeira turnê no Brasil.

 Baboom

Com 10 anos de estrada, a banda do ABC Paulista executa um ritmo forte, com melodias cativantes e arranjos bem recheados. É música jamaicana brasileira de raiz, com respeito à tradição, que não tem medo de inovar e dialogar com as novas influências.

 Coquetel Acapulco

Contando com os vocais envolventes de Sílvia Tardin, a banda lançou mais um EP em 2011 mixado por Sergio Soffiatti (Orquestra Brasileira de Música Jamaicana). O novo trabalho é um coquetel tropical de ritmos que reúne, em clima festivo, flertes caribenhos dançantes e o ska temperados com as especiarias do soul, do funk e do samba.

 Don Robalo

Formada por André Monnerat (guitarra e vocal), Bernardo Mortimer (sax), Marcos Monnerat (guitarra), Paulo Monnerat (baixo), Pedro Zaidhaft (bateria) e Rato (trombone) a banda mescla ska, swing, rock e samba.

 Móveis Coloniais de Acaju

Destaque musical de Brasília e uma das bandas mais queridas e populares do país nos últimos anos, o Móveis Coloniais de Acaju alcançou uma posição inigualável na cena independente nacional. “Feijoada búlgara” foi uma definição encontrada pela banda para explicar como funciona sua música, que é temperada com doses de ska, pitadas de música do leste europeu e brasileira, além de rock e muito swing.

 Peixoto e Maxado

Misturando ska e soul, trombone e ukulele, Jamaica e Califórnia, a dupla composta por Eduardo Peixe (frontman da SoS, a Sensacional Orchestra Sonora) e Felipe Machado (da banda de ska paulista Firebug) lança o seu primeiro disco, “I Wanna Shoyu”.

 Sapo Banjo

Sapo Banjo é a banda de ska nacional com mais tempo de estrada: “são 15 anos pulando de brejo em brejo!”, contam. Com sua qualidade musical, originalidade e alegria no palco, Sapo Banjo figura entre as mais respeitadas e elogiadas bandas de ska no Brasil e exterior. Seu som foge do ska tradicional e segue numa linha mais rápida ligada à tendência rock.

 

Serviço

CarnaSka

Quando: Dia 04/02, sábado, das 13h30 às 22h

Onde: Na rua, em frente ao CCJ (Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641- Vila Nova Cachoeirinha – São Paulo – SP)

Quanto: Grátis (Não é necessário retirar ingressos

Faixa Etária: Livre

Informações: (11) 3984-2466/ http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br

 

 

Pra ninguem botar defeito

Posted in Uncategorized on janeiro 26, 2012 by karolnews

Não é pra qualquer um. Além de boa música, talento e contar com as participações especiais de Ana Cañas, Tiê e Mariana Aydar, o grupo 5 a Seco se revela como um dos mais novos talentos da música popular brasileira.

5 a Seco no parque Villa Lobos. Participação Ana Cañas

O quinteto (que ora ou outra recebe artistas convidados para compor a banda) se apresentou ontem, 25, no parque Villa Lobos em programação especial para homenagear os 458 anos da cidade de São Paulo.

Com uma apresentação impecável e empolgante, os músicos cativaram os presentes. Debaixo de um sol que ultrapassava facilmente os 30 graus, a banda mostrou sucessos do seu repertório como Gargalhadas, regravado por Bruna Caram, Pra você dar o nome, que ficou famosa na voz de Pedro Mariano, além de Deixa Estar, Faça desse Drama, Juntos Outra Vez, entre outras.

O público, empolgado, não abandonou o grupo em nenhum instante. Entoando em uníssono todas as canções do quinteto, foram atendidos quando um “toca Raul” surgiu no meio da platéia. E eles tocam, é claro. Como banda, músicos e artistas de qualidade que são, veem na verdadeira música nacional uma inspiração para seus acordes.

Elas cantam e encantam

Ana Cañas entrou com seu visual hippie-chic , óculos e violão em punho desafiando os solos de guitarra e arranhando a voz como só Janis Joplin já ousou fazer. Uma mistura da boa e rara como só ela consegue fazer.

Tiê trouxe consigo toda a sutileza de suas canções, e conseguiu arrancar risos e acenos de aprovação ao transformar o clássico brega “Você não vale nada, mas eu gosto de você” em uma das músicas mais lindas e significativas que se pode fazer. Provocou o público e conseguiu com que todos a seguissem em coro no final.

Mariana Aydar apareceu com seu novo visual que lembra muito a Marina Lima dos anos 80 e trouxe os versos do premiado Criolo numa versão suave de Não existe amor em SP. Com um gingado elegante, atiçou a platéia e brincou com os músicos.

Quatro shows em um. Um espetáculo pra desbancar qualquer modismo e provar que a música nacional de qualidade ainda existe, e está ai, pra quem tiver ouvidos pra ouvir.

http://www.youtube.com/watch?v=eVwqp5sxl28

O BBB não é o maior dos nossos problemas

Posted in Uncategorized on janeiro 17, 2012 by karolnews

Devido à enxurrada de comentários e toda a polêmica sobre o ocorrido  na 12º edição do BBB, não pude deixar de comentar sobre o que tenho visto por trás de tudo isso.

Pior do que encarar machistas disfarçados de moralistas, que vem constantemente divulgando esse tipo de comportamento como normal e aceitável,  é perceber que muitas mulheres se posicionam a favor desse tipo de crime, tornando as atitudes mais brutais, simplesmente desculpáveis.

Mulheres que deveriam lutar juntas pelo direito ao respeito do seu corpo, se calam e compactuam com seus abusadores.

Abaixo reproduzo o texto da Paula Kaufmann do blog www.juntos.org.br onde ela exemplifica melhor o perigo que vivemos em achar o comportamento do Daniel justificável e considerar o da agredida, vulgar.

O BBB é apenas um reflexo da sociedade que vivemos, é apenas uma vitrine da forma comercial como as mulheres são tratadas e seus corpos e direitos violentados.

Define-se reality show como um programa de TV que se baseia na vida real. Pois bem, Big Brother Brasil cumpriu com o papel de mostrar a realidade que as mulheres vivem cotidianamente. Neste fim de semana, em uma festa da casa, um dos participantes que, segundo relatos, tentava ficar com todas as participantes do programa a qualquer custo durante a noite, abusou de uma das participantes. Monique havia bebido demais e estava praticamente inconsciente em sua cama quando o sujeito se deita ao lado dela embaixo do edredom e passa a fazer movimentos claramente sexuais com a menina que aparenta estar desacordada. Transtornada e sem lembrar o que aconteceu, a moça passou todo o dia seguinte tentando entender o que havia acontecido, enquanto o rapaz apenas dizia que foram alguns beijos e mãos aqui e ali. A Rede Globo (a mesma emissora que vê graça em quadro de comédia de abuso sexual em metrô) vem fugindo da responsabilidade, dizendo que nada aconteceu. O âncora do BBB, Pedro Bial, acha que o caso é uma linda história de amor.

Com a grande repercussão do caso, ouvimos comentários como “quem mandou beber tanto” ou “a menina deveria se comportar melhor” ou ainda “quem mandou ser maria chuteira”. A culpabilização da vítima é recorrente nos casos de estupro e deve ser combatida. É comum vermos a vida sexual e o comportamento das vítimas de estupro e abuso sexual serem questionados já que se estabelece como ideal o comportamento assexuado, puro e dócil para a mulher. Quando se foge a esse padrão a culpa da violência é atribuída, nem sempre inteiramente, mas pelo menos parcialmente à mulher. Ela que não deveria ter bebido demais. Ela que não deveria usar uma roupa curta. Ela que não deveria andar pela rua escura. Como as Marchas das Vadias ao redor do mundo mostraram em 2011, a roupa que usamos não é um convite, o nosso comportamento não é o culpado. A culpa é do agressor. A culpa é do machismo com que somos obrigadas a conviver diariamente.

Casos de estupro de vulnerável (que é crime, segundo o Código Penal) acontecem cotidianamente. Casos como esse, veiculado em rede nacional e ainda acobertados pela emissora reforçam que abusar do corpo de mulheres que não se encontram em estado de possível reação é uma atitude tolerável e que passa impune.

Acaba de ser anunciado ao vivo no programa que Daniel foi expulso do reality show. Essa é uma vitória da luta contra o machismo dando o exemplo de que atitudes como essa são inaceitáveis e não podem passar impunes! No entanto, a eliminação do participante era a mínima atitude que a Rede Globo deveria ter. A responsabilização de Daniel pelo crime que cometeu em rede nacional bem como da emissora devem ser garantidas o quanto antes para que não se reproduza a impunidade dos agressores em casos de violência contra a mulher, como vemos cotidianamente. A Globo é uma emissora de alcance nacional e por isso deve ter responsabilidade social com o conteúdo que veicula e não atender os interesses dos grandes conglomerados econômicos que mantêm financeiramente o canal. Atitudes como a de Daniel são também resultado de um conteúdo constantemente veiculado pela Rede Globo que objetifica e reifica o corpo da mulher.

Ao contrário do que disse Pedro Bial ao anunciar a eliminação de Daniel, o show não deve continuar. Exclusão do programa não basta! Exigimos que os culpados sejam responsabilizados e que a reprodução de valores machistas não siga sendo encarada com naturalidade. O combate a esse tipo de atitude deve ser firme e inflexível. Não toleraremos nenhuma violência ou abuso! Pela autonomia de nosso corpo!”

 Texto retirado:http://juntos.org.br/2012/01/bbb-e-o-machismo-nosso-de-cada-dia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bbb-e-o-machismo-nosso-de-cada-dia

 

 

 

 

 

 

Tecnologia, consumo e dor

Posted in Uncategorized on outubro 24, 2011 by karolnews

“Esse lugar é o inferno na Terra. Pessoas trabalhando sob a mira de homens armados por toda parte. Meninos de 14, 15, 16 anos cavando nos buracos. Crianças com até quatro anos vendendo coisas e fazendo serviços para os soldados. Não há água potável.”

O cineasta dinamarquês Frank Poulsen sempre se considerou uma pessoa forte para cenários de pobreza e sofrimento, tendo ido a África várias vezes. Mas a visão da enorme mina de cassiterita de Bisie, num ponto remoto do Congo oriental, foi “muito além de tudo que eu já tinha visto”. “O sentimento de desespero está no ar”, descreveu ao Link pelo telefone.

 

Em Bisie, milhares de pessoas se dedicam a procurar um dos minérios que, muitos estágios depois, se transformam em componentes dos celulares que todos usam. Foi lá que o diretor conseguiu as imagens mais impactantes de seu documentário, Blood In The Mobile(Sangue no Celular, em tradução livre).

Exploração. No Congo, minas controladas por milícias armadas empregam mão de obra infantil. FOTO: DIVULGAÇÃO

Concluído no fim de 2010, o filme teve exibições esporádicas desde então (incluindo sessões no festival brasileiro É Tudo Verdade deste ano). Entre este mês e o fim do ano, o alcance deve aumentar, com sua inclusão em diversas mostras e festivais nos EUA e Inglaterra.

Blood In The Mobile é um ruído desagradável em um mundo dominado por máquinas e pelo consumo destas. O filme alerta que as matérias-primas que fazem este século 21 ser tão bem informado e conectado muitas vezes vêm de lugares que remetem aos tempos da escravidão. As cenas de Bisie podiam muito bem ser do Congo Belga do fim do século 19, descrito em tons sinistros pelo escritor Joseph Conrad no clássico Coração das Trevas.

O diretor viveu uma saga para chegar ao seu apocalíptico destino final, como o protagonista do livro de Conrad. “Primeiro tomei o avião de Kinshasa (capital do Congo) até a cidade de Goma. Daí fui de helicóptero até a vila de Walikale. Depois, foram mais 200 quilômetros de moto. E, finalmente, dois dias de caminhada pelas montanhas.”

País que tem o tamanho da Europa Ocidental, a República Democrática do Congo (o antigo Zaire) repousa esplendidamente sobre imensas reservas de diamantes, ouro, cobre, cobalto, cassiterita, volframita e coltan (abreviação para columbita-tantalita). Fora as pedras preciosas, o resto da lista são materiais usados no processo de fabricação de qualquer aparelho de celular (leia mais aqui).

Os recursos minerais do Congo são motivo de disputas sangrentas. No fim dos anos 90, as tensões descambaram no conflito mais sangrento do planeta desde o fim da Segunda Guerra Mundial, envolvendo o exército congolês, milícias locais, forças de Ruanda, Burundi e mais seis países.

Chamada de Segunda Guerra do Congo ou Guerra do Coltan, ela terminou oficialmente em 2003. Mas a paz nunca chegou de fato à região, que segue castigada por violência, exploração, ausência de direitos humanos básicos, fome e doenças. De 1998 a 2008, 5,4 milhões de pessoas morreram em consequência dos conflitos. Os produtos das minas locais ganharam o nome neutro de “minérios do conflito”.

Não surpreende que as condições de trabalho num cenário assim sejam as piores possíveis. “A situação nas minas é análoga à escravidão. As pessoas ganham para trabalhar, mas estão aprisionadas, amarradas em dívidas com os grupos armados”, relata.

Fabricantes. Segundo o diretor, tão difícil quanto acessar a distante mina congolesa foi conseguir a participação da Nokia no documentário. Poulsen escolheu a empresa por ser a fabricante do celular que usa. Depois de dois meses de tentativas por e-mail e telefone, tudo que obteve foi uma resposta de duas linhas dizendo que a “empresa não tinha recursos para ajudá-lo”. O cineasta resolveu, à la Michael Moore, ir pessoalmente à sede da empresa na Finlândia.
“No filme, eu vou várias vezes à sede da Nokia. Eles me disseram, finalmente, que sabem do problema e que estão fazendo tudo que podem, mas não especificam bem o quê”, conta.

Poulsen não tenta provar que os celulares da Nokia usam materiais de Bisie ou de outra mina do Congo. Dada a quantidade de etapas atravessada pelos minérios até chegar na manufatura do aparelho, o rastreamento é trabalhoso. “Sei da dificuldade de conhecer a cadeia de fornecimento desses recursos. Mas só as indústrias podem descobrir isso e elas não o fazem. Se recusam a divulgar sua lista de fornecedores.”

A questão dos “minérios de conflito” esteve na pauta do Congresso americano no final da década passada. O resultado foi a inclusão de uma cláusula referente ao Congo num pacotão legislativo conhecido como Lei Dodd-Frank. De acordo com ela, empresas passam a ser obrigadas a provar que seus materiais não vinham da região conflituosa no Congo.

Mesmo sem entrar em vigor, a lei Dodd-Frank já teve um impacto muito além do previsto. Apavoradas com possíveis consequências, empresas americanas pararam de comprar qualquer coisa do Congo. Foi um duro golpe na frágil economia local, onde os minérios representam quase 12% das exportações.

 

Fonte: Link – Estadão

O valor da dignidade

Posted in Uncategorized with tags , , , on outubro 21, 2011 by karolnews

Quem precisa de atendimento médico rápido e de qualidade, tem que travar uma luta diária e cansativa contra o descaso de médicos e atendentes do sistema público de saúde.

Em uma tarde no Hopsital das Clínicas de São Paulo (considerado referência para toda a América Latina), à procura de atendimento emergencial, a cena que se vê é uma das mais tristes e revoltantes: dezenas de pessoas (jovens, crianças e velhos… muitos deles), aguardando pacientemente o número que, com sorte, apareceria em um monitor confuso e de difícil visualização.

O cenário é alarmante. Pessoas sentadas em bancos desconfortáveis, velhos e deficientes levados em cadeiras de rodas quebradas, desordem na distribuição de senhas, aguardando por horas um atendimento que não vêm. Além, claro, de suportar o desrespeito e a rispidez de seguranças e atendentes do Prédio dos Ambulatórios.

Em quase duas horas de espera, alguns pacientes sequer tinham feito a ficha de inscrição, parte do processo de triagem que levaria, enfim, ao atendimento.

Pacientes desesperados buscavam por orientação meio a reclamações sobre a demora, ao que um dos seguranças respondia de forma impaciente que, a única coisa a fazer era aguardar.

Em outro hospital, não muito distante do HC, o cenário é outro. Recepcionistas

Agilidade e pronto atendimento. Pra quem pode pagar.

educadas e bem treinadas atendem com agilidade aos que passam pela entrada de emergência do Sta.Catarina. Em outra sala, confortável e bem decorada, os pacientes aguardam alguns minutos para o primeiro atendimento. Após uma breve classificação, cada um é encaminhado para um determinado setor.  Um retrato totalmente diferente, outro mundo.

Cada pessoa que (muitas vezes) atravessa a cidade em busca de tratamento está em busca não só de remédio e conforto, mas sim de dignidade. A dignidade, e nada mais, que consiste em ser atendido no ato e por pessoas que tenham o mínimo de preparo para lidar com: pessoas.

Gente, que busca o mínimo de alento aos dramas particulares que transbordam pelos cantos de hospitais decadentes e sem estrutura.

O valor da dignidade: R$1444,41. A consulta particular não sai por menos de R$270

Ter um sistema de saúde falho que desrespeita um direito básico do ser humano garanti

do inclusive pela Constituição, parece já ter se tornado algo comum entre os brasileiros. A saúde no Brasil está podre e cheira mal, sendo assim, ninguém quer ver.

O bem-estar do brasileiro está condicionado ao valor do seu plano de saúde que, com ou sem greve, abre vagas instantâneas e sorrisos simpáticos das atendentes. Enquanto a grande massa fica à mercê do sistema corrupto e ineficaz.

Pra se ter dignidade, tem que pagar. E o valor da conta é caro, muito caro.